segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Gasolina pressiona a inflação, que teve alta de 0,75% na segunda prévia de dezembro


Marli Moreira
Repórter da Agência Brasil

São Paulo - O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) teve alta de 0,75%, na segunda prévia de dezembro, ante 0,72%, na apuração anterior. O cálculo, feito pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra que quatro dos oito grupos pesquisados apresentaram acréscimos com destaque para o de transportes (de 0,28% para 0,67%).
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) calcula a inflação pelo reajuste de preços de um conjunto fixo de bens e serviços componentes de despesas habituais de famílias com nível de renda situado entre 1 e 33 salários mínimos mensais. Sua pesquisa de preços se desenvolve diariamente, cobrindo sete das principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília.
A versão semanal do IPC – denominada IPC-S - segue metodologia de coleta quadrissemanal, com encerramento em datas pré-estabelecidas (7, 15, 22 e 31). Apesar de a coleta ser semanal, a apuração das taxas de variação leva em conta a média dos preços coletados nas quatro últimas semanas até a data de fechamento.
A elevação divulgada hoje, correspondente a 0,75%, foi provocada pelo reajuste da gasolina (de 0,61% para 2,17%). Esta elevação está embutida no grupo de transportes (que subiu de 0,28% para 0,67%). No entanto, a maior taxa do período foi registrada no grupo alimentação (de 0,96% para 1,02%). As demais classes de despesas com aumentos em índices superiores aos da primeira prévia do mês são: educação, leitura e recreação (de 0,70% para 0,98%); alimentação (de 0,96% para 1,02%) e saúde e cuidados pessoais (de 0,42% para 0,46%).
Nos grupos restantes os preços subiram com menos intensidade. Em habitação (de 0,80% para 0,66%); comunicação (de 0,93% para 0,48%); vestuário (de 0,83% para 0,71%) e despesas diversas (de 1,09% para 0,87%).
Os principais aumentos foram: gasolina (de 0,61% para 2,17%); aluguel residencial (de 1,01% para 1,07%); passagem aérea (de 19,20% para 18,92%); tarifa de eletricidade residencial (de 2,58% para 1,72%) e tomate (de 14,97% para 16,06%).

‘Vi cachorro estraçalhando ela’, diz irmã de criança atacada por rottweiler

Criança passou por cirurgia e não corre risco de morte.
Ataque ocorreu na tarde de sexta-feira (13), no bairro Urumari II.

Do G1 Santarém

Ataque de rottweiler durou cerca de 10 minutos. (Foto: Reprodução/TV Tapajós)Ataque de rottweiler durou cerca de 10 minutos.
(Foto: Reprodução/TV Tapajós)
A irmã da criança de 9 anos, atacada por um cachorro da raça rottweiler, enquanto brincava na calçada da vizinha, no bairro Urumari II, em Santarém, oeste do Pará, ficou abalada com a cena que viu na tarde de sexta-feira (13).
Segundo Edilene da Silva Vieira, depois de 10 minutos de ataque, o dono do animal apareceu e foi o único que conseguiu fazer o cão soltar a menina. “[Eu] vi quando o cachorro estava em cima dela, estraçalhando ela, aí não tinha como a gente acudir, só o dono podia socorrer, foi quando eu pedi socorro para ele. Ficou balançando ela, não consegui ver minha irmã naquela situação. Eu não podia ajudar. Um cachorro daquele tamanho em cima da minha irmã”, disse emocionada.
Revoltada, Edilene afirma que o cachorro fica solto no quintal. “Toda hora eles entram e saem, não é para o cachorro está solto, é para estar preso na casinha. Minha irmã é tão querida, não pode ficar assim a situação dela”.
O G1 entrou em contato com a dona do cão, Virgínia Branco, e ela informou que toda a assistência está sendo prestada à criança. Ela destacou que foi a primeira vez que o cão atacou alguém. “Ele tem casinha, só que como ele estava meio ruim da barriga nós deixamos ele solto. Estamos abalados. Deus me livre. Nunca imaginamos que isso iria acontecer”.
A família da criança registrou o caso na noite de sexta-feira (13), na Delegacia de Polícia Civil. De acordo com o delegado Jamil Casseb, o dono do cachorro pode ser preso e responder por lesão corporal. A polícia vai comunicar o caso ao Centro de Controle Zoonoses (CCZ).
Por telefone, o coordenador do CCZ, João Alberto Coelho informou ao G1 que o órgão ainda não foi comunicado sobre o fato, mas disse que assim que a polícia solicitar, o cão será resgatado e ficará em observação durante 10 dias para verificação de possíveis sintomas de agressões e raiva animal. Se o cachorro apresentar um quadro normal, após autorização policial, será devolvido ao dono. Caso seja constada alguma doença, ele permanecerá no Centro.
Estado de saúde
Em nota enviada na manhã deste sábado (14), o Hospital Municipal de Santarém informou que a criança passou por procedimento cirúrgico na tarde de sexta, está em observação na clínica pediátrica e não corre risco de morte. A paciente deve passar por nova avaliação médica, e o estado clínico é estável.
O caso
Roberta Kelly Vieira de 9 anos foi atacada na tarde de sexta-feira (13) enquanto brincava na frente da casa dos vizinhos. Segundo testemunhas, o ataque durou cerca de 10 minutos. A criança ficou gravemente ferida, foi arrastada pelo animal e teve parte do couro cabeludo arrancado. O cão, que é de um dos vizinhos, aproveitou a desatenção dos donos, e passou pelo portão, em direção à vítima.

Cristoval 2014 será realizado de 1º a 4 de março

Carnaval com Cristo ainda não tem local definido.
Evento será realizado em Santarém, Alter do Chão e mais dois municípios.

Do G1 Santarém

Cristoval, em 2013, no estádio Colosso do Tapajós, homenageou os 40 anos do RCC. (Foto: Reprodução/TV Tapajós)
Cristoval, em 2013, no estádio Colosso do Tapajós,
homenageou os 40 anos do RCC. (Foto: Reprodução/
TV Tapajós)
O Cristoval 2014 será realizado entre os dias 1º e 4 de março de 2014, em Santarém e em mais outros dois municípios do oeste do Pará, além da vila de Alter do Chão.
Contudo, em Santarém, ainda não há local definido para o evento religioso. De acordo com a presidente da Renovação Carismática Católica (RCC), Rosangela Sena, haverá uma reunião com a Prefeitura, nesta segunda-feira (16), para solicitar o espaço Pérola do Tapajós, no Parque da Cidade. Em 2012, o Cristoval foi realizado na Praça do Santíssimo Sacramento e, em 2013, retornou ao estádio Colosso do Tapajós, local que por muitos anos recebeu o evento.
Além de Santarém, o Cristoval também será realizado em Mojuí dos Campos e Prainha, no oeste paraense. “Estamos negociando para que Belterra, Almeirim e Aveiro também recebam o Carnaval com Cristo”, informou Sena.
O cantor gospel Flavinho é a atração musical confirmada. No domingo, dia 2 de março, será realizado o evento voltado às crianças, denominado Cristoval Mirim.
Na programação que antecede o Cristoval, estão previstos o retiro dos servos com missa de envio, no dia 16 de fevereiro, e uma carreata com blitz na orla da cidade, no dia 23 de fevereiro.
O Cristoval, ou Carnaval com Cristo, é realizado pela 33ª vez em Santarém, com o intuito de servir de opção para as pessoas no período carnavalesco, com danças, pregações, músicas e apresentações teatrais em louvor a Jesus.

Saiba o que fazer se você caiu na malha fina da Receita Federal

Consulta ao 7º lote foi liberada e quem não saiu em nenhum caiu na malha.
Declarações dos contribuintes ficam retidas para correção.

Do G1, em São Paulo

A Receita Federal liberou nesta segunda-feira (16) as consultas ao sétimo e último lote do Imposto Pessoa Física de Renda 2013. Quem não estiver nesse lote, e também não esteve nos seis lotes anteriores neste ano, está automaticamente na malha fina do Leão.
Estar na malha fina não representa, necessariamente, um problema com a Receita Federal. Quando entram na malha fina, as declarações dos contribuintes ficam retidas para correção dos erros, e as eventuais restituições são pagas somente após a questão ter sido resolvida – nos chamados lotes residuais do IR.
As consultas podem ser feitas no site da Receita, em:
http://www.receita.fazenda.gov.br/Aplicacoes/Atrjo/ConsRest/Atual.app/index.asp
Também podem ser feitas pelo telefone 146 (opção 3) ou via aplicativo para dispositivos móveis (smartphones e tablets).
Para esses contribuintes, a restituição, se houver, pode levar até cinco anos para ser liberada – é esse o prazo que a Receita tem para notificar os contribuintes com declaração retida e convocá-los para prestar esclarecimentos. Liberadas, as declarações são incluídas nos lotes residuais.
É possível saber se está com as contas pendentes na Receita consultando o último lote do Imposto de Renda de 2013, ano-base 2012.
Sem pânico
Especialistas dizem que não há motivo de pânico caso o contribuinte tenha caído na malha fina do Leão.
Segundo a empresa de contabilidade Confirp, para saber se há inconsistências na declaração, quem teve o documento retido para verificações deve acessar o extrato da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física de 2013, disponível no portal e-CAC da Receita Federal.

Para acessar, é necessário utilizar o código de acesso. Esse código é gerado na própria página da Receita Federal (o contribuinte deve informar CPF, data de nascimento e os números dos recibos de entrega das declarações do Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) dos exercícios de 2012 e 2013).
Caso não sejam encontrados erros por parte do contribuinte que resultem na necessidade de uma declaração retificadora, a Confirp recomenda que os contribuintes antecipem seu atendimento na Receita Federal (sem a necessidade de aguardar a notificação). Esse atendimento é feito com hora marcada.
Declaração retificadora
Entretanto, caso sejam encontrados erros na declaração, recomenda-se fazer a declaração retificadora. "Caso tenha sido detectada alguma divergência, o Fisco já aponta ao contribuinte o item que está sendo ponto de divergência e orienta o contribuinte em como fazer a correção", explica o diretor tributário da Confirp, na nota.
O procedimento é o mesmo que para uma declaração comum, com a diferença que no campo "Identificação do Contribuinte", deve ser informada que a declaração é retificadora. É fundamental que o contribuinte possua o número do recibo de entrega da declaração anterior para a realização do processo. A entrega da declaração retificadora poderá ser feita pela internet.
O contribuinte que já estiver pagando imposto não poderá interromper o recolhimento, mesmo havendo redução do imposto a pagar. Nesse caso, o contribuinte deve recalcular o novo valor de cada quota, mantendo o mesmo número de quotas em que o imposto foi parcelado na declaração retificadora, desde que respeitado o valor mínimo. Os valores pagos a mais nas quotas já vencidas devem ser compensados nas quotas com vencimento futuro. Também é possível pedir restituição.

Se a retificação resultar em aumento do imposto declarado, o processo é parecido: o contribuinte deve calcular o novo valor de cada quota, mantendo o número de quotas em que o imposto foi parcelado na declaração retificadora. Sobre a diferença correspondente a cada quota vencida incidem acréscimos legais (multa e juros), calculados de acordo com a legislação vigente, esclarece a Confirp.
Sem mudança no formato da declaração
Na declaração retificadora não é permitida a mudança da opção (completa ou simplificada). Ou seja, se o contribuinte declarou na "completa" deve retificar sua declaração nesta forma, mesmo que o resultado na "simplificada" seja mais vantajoso, diz a Confirp.

Perivaldo volta ao Brasil após viver na rua em Portugal e reencontra família

O Fantástico localizou, em Lisboa, o ex-lateral da seleção. Mas chegou a hora da volta por cima. Perivaldo desembarca no Brasil e a equipe do programa acompanha o reencontro dele com a família.

G1.com/fantástico

Há um mês, o Fantástico encontrou o Perivaldo vivendo como um sem-teto em Lisboa. Ele perambulava pelas ruas. Recolhia peças de roupa de dentro de latas de lixo. Pouca gente imaginava que aquele homem já tinha vestido a camisa amarela da seleção brasileira.
Perivaldo Lúcio Dantas ficou famoso como Peri da Pituba. Foi lateral direito do Botafogo, passou pelo Palmeiras, de Telê Santana, que o convocou para a seleção em 81. Fez parte do histórico time de 82 com Falcão, Zico, Sócrates.
Agora, Peri dormia na rua. A família no Brasil não sabia das condições dele na Europa.
“Chorei muito de ver ele naquela situação”, conta Noélia Lúcia Dantas, irmã do Perivaldo.
“Sempre ajudou os outros. E agora se vê nessa situação, é doído”, desabafa Paulo Lúcio Dantas, irmão do Perivaldo.
O Sindicato dos Jogadores Profissionais se comprometeu a trazer o Perivaldo de volta. “Se a questão for ele voltar pro Brasil, vamos patrocinar a volta dele”, disse Alfredo Sampaio, presidente do Sindicato dos Atletas de Futebol.
Foi o que aconteceu essa semana. Marcelo Dantas, o filho mais velho de Perivaldo, foi até Portugal. “Mexe com o emocional, né? Mexe com muita coisa. Vem o passado, vem muita coisa. É difícil. É difícil”, se emociona.
Do lixo para o luxo. Depois de passar por todo tipo de dificuldade, ser obrigado a dormir na rua, revirar o lixo, os últimos dias de Perivaldo em Portugal foram em um hotel cinco estrelas. Ele ficou hospedado lá, até a volta em definitivo para o Brasil.
“Eu sempre dormi em esteira de palha no chão. O moleque (filho) já é cinco estrelas... Five star. Estou decidido a voltar pro Brasil. Meu filho veio aí. Lá meus netos, todo mundo querendo me levar. Eu não posso dar esse mole”, diz.
“A ideia é inicialmente ele ficar perto da família nesse período de Natal. Uma primeira adaptação dele. E depois, final de janeiro, início de fevereiro, aí sim a ideia é levá-lo para o Rio e criar uma estrutura de trabalho pra ele”, adianta Alfredo Sampaio.
A despedida de Portugal contou com entrevista para a imprensa esportiva.
“Não sei como agradecer o pessoal de Lisboa, a imprensa de Lisboa. Mas meu coração diz: ‘sou feliz mesmo partindo, sou feliz’”, declarou.
Depois de 23 anos em Portugal, no último dia de Perivaldo em Lisboa, é claro, ele quis ir à Feira da Ladra, onde ganhou um dinheirinho nos últimos tempos.
De um dos antigos companheiros de feira, ele ganhou duas calças para a viagem.
Perivaldo chegou na quarta-feira ao Rio de Janeiro. “Muito obrigado a vocês, toda a imprensa, por essa força. E pode contar que o Peri vai bater firme aí”, disse o ex-jogador.
No Rio, Perivaldo vai ficar num apartamento pago pelo sindicato. Mas nem deu tempo de ele se sentir em casa. No dia seguinte, Perivaldo já foi para a Bahia, rever os irmãos que vivem em Itabuna, na casa que, no passado, Peri comprou para a mãe.
“Eu estava ansiosa para dar um abraço”, diz Sandra Regina Dantas, sobrinha de Perivaldo.
“O Natal mais feliz que nós vamos passar é esse agora. A presença de Perivaldo com todos nós. Estamos muito felizes”, afirma Noélia Lúcia Dantas.
Peri começa agora mais uma etapa na vida. Uma que começa com a cara dele, a cara da alegria.
“No meu vocabulário, não existe a palavra feliz. Existe felicíssimo”, diz Perivaldo.

39ª rodada: STJD julga caso que pode rebaixar Lusa ou Fla e salvar o Flu

Portuguesa e Flamengo serão julgados em primeira instância a partir das 17h pelo tribunal. Resultado ainda pode ser objeto de recurso, que levaria a novo julgamento

 
Por Rio de Janeiro

Começa nesta segunda-feira, às 17h, a 39ª rodada do Campeonato Brasileiro. Portuguesa e Flamengo serão julgados na sede do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), no Centro do Rio de Janeiro, em sessão que interessa diretamente ao Fluminense, que pode escapar da degola dependendo do resultado. Estarão em análise as escalações de André Santos, pelos rubro-negros, contra o Cruzeiro, e Héverton, pela Lusa, contra o Grêmio, na última rodada da competição. Os dois foram suspensos em julgamento na sexta-feira e escalados no fim de semana, o que acarretou uma notícia de infração feita pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ao tribunal. Ambos os clubes foram denunciados no artigo 214 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) e podem perder até quatro pontos na tabela, cada. O julgamento será acompanhado em tempo real pelo GloboEsporte.com.

Caso Portuguesa e Flamengo percam os pontos, o time paulista será rebaixado e o Fluminense permanecerá na Série A do Brasileiro. Se somente o Flamengo perder pontos, a Portuguesa fica na elite, o Fluminense também e os rubro-negros terão de disputar a Série B em 2014. No caso de apenas a Lusa ser punida, ela é rebaixada, e o Fluminense sobe. O caso pode se prolongar, com os recursos das partes ao Tribunal Pleno, a instância máxima da Justiça Desportiva, até o dia 27, data que o órgão estima como limite para solução deste caso e também do processo que trata da violência na partida entre Vasco e Atlético-PR em Joinville. Cariocas e paranaenses já foram julgados em primeira instância pela 4ª Comissão Disciplinar na última sexta-feira e, além de multa, pegaram oito e 12 perdas de mando de campo, respectivamente, sendo que metade da pena de ambos terá de ser cumprida com portões fechados.
montagem Héverton e André Santos (Foto: Montagem sobre foto da Agência Estado)Héverton e André Santos se tornaram pivôs de polêmica no fim do Brasileiro (Foto: Montagem sobre foto da Ag. Estado)
Os casos de Flamengo e Portuguesa serão julgados pela 1ª Comissão Disciplinar, presidida por Paulo Valed Perry, filho de Valed Perry, consultor jurídico da CBF. O relator do processo da Portuguesa será Felipe Bevilacqua de Souza, do Rio de Janeiro, e o relator do processo que tem o Flamengo como réu será Luiz Felipe Bulus Alves Ferreira, do Distrito Federal. Os demais auditores que participarão da votação no julgamento serão Vinicius Augusto Sá Vieira (SP) e Douglas Blackhman (RJ - auditor suplente). O auditor Washington Rodrigues de Oliveira (SP) foi declarado impedido de participar do julgamento, nos termos do artigo 18 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), por ter se manifestado publicamente - em rede social - sobre o objeto da causa. Será substituído pelo suplente Blackhman.

De acordo com o regimento interno do STJD, os auditores são escolhidos por maioria de votos no Pleno, podendo ser indicados por qualquer membro do tribunal. Cada auditor do Pleno escolhe um nome da lista de indicados por vaga a ser preenchida. Já a escolha da comissão que julgará cada caso é dirigida e fica a cargo da secretaria do tribunal, conforme o artigo 32 do regimento: "Os processos de competência das Comissões Disciplinares serão distribuídos pela Secretaria de forma dirigida, levando-se em conta a data de seu recebimento, os prazos legais aplicáveis e as pautas de cada Comissão Disciplinar, de modo a permitir que sejam julgados da forma mais célere possível". O artigo 33 acrescenta que a escolha do relator de cada processo tem de ser feita por sorteio. Também estará presente, representando a Procuradoria, o sub-procurador geral William Figueiredo de Oliveira, também do Rio de Janeiro.

O início da pauta está marcado para 17h. O julgamento da Portuguesa está previsto para ser o primeiro. O Flamengo, contudo, deu entrada em pedido para ser homologado como terceiro interessado no processo na última sexta-feira. Como a Lusa usa argumentos que também serão sustentados pelos rubro-negros, o advogado que defenderá o clube da Gávea, Michel Asseff Filho, entrou com o pedido no tribunal para poder fazer uma sustentação desses argumentos em comum já no julgamento do clube paulista, para não exaurir o tema antes do início da análise do processo de infração do Flamengo. A Portuguesa será defendida pelo advogado João Zanforlin, que presta normalmente serviços ao Corinthians. O Fluminense também deu entrada em pedido para ser registrado como parte interessada e deverá ser representado pelo advogado Mário Bittencourt.
variações na tabela (Foto: arte esporte)As variações na tabela de acordo com as possíveis punições no julgamento desta segunda-feira (Foto: arte esporte)
Iniciada a sessão no STJD, são anunciados os componentes da mesa. Em seguida, será lido o parecer da Procuradoria. A sessão continua com oitiva de testemunhas. As apresentações das defesas das partes têm tempo limitado em 10 minutos, podendo ter acréscimo com autorização do presidente da comissão. Em seguida, cada auditor anunciará o voto com a pena a ser aplicada, sendo Paulo Valed Perry, presidente da comissão, o último a se pronunciar - anunciará também o veredicto. O primeiro a ler seu voto é o relator de cada processo e os demais auditores acompanham, ou não, as suas alegações.

O caso da Portuguesa foi cercado por uma polêmica envolvendo o advogado que prestava serviço para o clube há nove anos, Osvaldo Sestário. Responsável por defender a Lusa no julgamento de Héverton, ele garantiu ter comunicado, por telefone, a suspensão do jogador por duas partidas. O clube, por sua vez, assegura que só houve comunicação de suspensão por um jogo. João Zanforlin deverá tentar demonstrar que não houve intenção do clube em se beneficiar com a escalação do jogador, visto que entrou em campo nos minutos finais da partida, e contestar o dia em que a punição aplicada pelo tribunal se torne válida. Como Héverton foi julgado na sexta, o clube acredita ter argumentos para demonstrar que a penalidade só poderia ser aplicada a partir de segunda-feira, invocando o direito de ampla defesa.
A defesa da Portuguesa vai ter três depoimentos: do diretor jurídico Valdir Rocha da Silva, do presidente Manuel da Lupa e do conselheiro José Luis Almeida. Os três são advogados. Valdir Rocha da Silva foi a quem Osvaldo Sestário, advogado que atuou no julgamento de Héverton, afirmou ter passado a informação de que o jogador tinha sido suspenso por dois jogos. Valdir não se pronunciou publicamente após o imbróglio e foi preservado para o julgamento.

No caso do Flamengo, há outras nuances, excluída a suposta falha de comunicação que entra no contexto do julgamento do clube do Canindé. Os rubro-negros, mesmo sabendo da suspensão de André Santos, consideraram que havia base legal para que o jogador fosse escalado na última rodada por ter ficado fora da partida anterior, contra o Vitória. A denúncia de infração foi feita por conta da expulsão do jogador na final da Copa do Brasil, contra o Atlético-PR, o que, acredita o Flamengo, forçaria que se cumprisse suspensão automática na partida seguinte, contra o Rubro-Negro baiano. O Fla usará em sua defesa pareceres de especialistas, como o do advogado Marcos Motta.

General angolano chegava a pagar US$ 100 mil por sexo com brasileiras

Reportagem especial denuncia rede de prostituição de luxo, que levava brasileiras a Angola. Principal cliente era um dos homens mais poderosos da África.

G1.com

A reportagem especial deste domingo, no Fantástico, vai denunciar uma rede de prostituição de luxo que você nunca viu nada parecido. Mulheres brasileiras eram levadas para fazer programas sexuais em Angola. Segundo as investigações, o principal cliente era um general, um dos homens mais poderosos da África. Ele chegava a oferecer US$ 100 mil por um programa. Veja na reportagem de Walter Nunes e Ernesto Paglia.
O Aeroporto Internacional de São Paulo é passagem frequente de muitos famosos. Artistas, celebridades, gente que viaja a trabalho para decolar nos palcos do Brasil e do mundo.
Agora, uma investigação da Polícia Federal revela que, durante os últimos sete anos, Guarulhos funcionou também como ponto de partida de uma ponte aérea da prostituição, que ligava Brasil e África.
Brasileiras - algumas, rostos conhecidos de programas de TV - embarcavam pelo menos duas vezes por mês com destino a Angola ou à África do Sul. Em certos casos, essas expedições incluíam Portugal.
Entre os envolvidos, não havia segredo. O objetivo das excursões era abertamente sexual.
Fantástico: Essas mulheres sabiam que iam para lá para se prostituir?
Stella Fátima Scampini, procuradora federal: Sim.
Fantástico: Então, isso não descaracteriza o crime?
Stella: Não. O fato de a pessoa se prostituir, isso não é crime. A pessoa que explora a outra sexualmente, que tira proveito da prostituição alheia, essa sim comete crime. O simples fato de você promover a saída de uma pessoa para o exterior para exploração sexual, isso por si só já é um crime, que é justamente o crime de tráfico internacional de pessoas.
O destino final desse tráfico de pessoas era, na maioria das vezes, a cidade de Luanda. A precária capital angolana, marcada por quase 30 anos de guerra civil, foi o improvável cenário de prostituição para algumas mulheres brasileiras.
Se Angola ainda luta contra a pobreza, o mesmo não pode ser dito do homem que a Polícia Federal aponta como o grande patrocinador deste esquema, que pode ter movimentado quase US$ 50 milhões desde 2007.
Bento dos Santos Kangamba é general da reserva das Forças Armadas angolanas. Herói da guerra civil, líder político do partido do poder, o MPLA, ele é um dos maiores empresários do país. Com negócios na África e em Portugal, dono do time de futebol que é o atual campeão angolano, o general Bento tem forte ligação com o presidente José Eduardo dos Santos, no poder há 34 anos. Ele é, simplesmente, casado com uma sobrinha do chefe de estado de Angola.
Luiz Tempestini, delegado da Polícia Federal: Ele é uma pessoal muito influente naquele país.
Fantástico: Intocável?
Tempestini: Eu não diria intocável. Mas tem uma dificuldade maior sim.
De acordo com a Polícia Federal, as brasileiras eram enviadas em grupos de cinco ou seis para Angola. No auge do esquema, no meio deste ano, havia pelo menos dois grupos por mês. Em uma escuta feita com autorização judicial, uma das mulheres que já tinha visitado Luanda conta para outra como é a viagem. A conversa confirma: as moças sabiam muito bem com quem estavam lidando.
Mulher 1: Ele é famosíssimo. Esse cara é dono de tudo lá. Ele abre uma gaveta assim ó, cheio de dólares. Cheio. Milhões de dólares.
As moças eram contratadas por US$ 10 mil cada. O combinado: uma semana à disposição de Kangamba e seus amigos na África. Mas, para uma delas, a eleita, o cachê podia ganhar outra dimensão.
As escutas mostram que Bento Kangamba fazia uma seleção cuidadosa e escolhia uma das beldades para ser a sua própria acompanhante.
Mulher 1: No primeiro dia que ele foi ver a gente, ele pegou, foi lá pro quarto, mandou chamar nós duas. Aí ele mandou ficar em pé para ele ver meu corpo.
Mulher 2: De roupa mesmo ou sem nada?
Mulher 1: De vestido e calcinha.
Em um quarto do hotel, as moças desfilavam diante do poderoso angolano.
Mulher 1: Ele não gosta de baixa, ele gosta de mulher super bolada. Ele gosta de mulher com carne. Se eu tivesse o corpo de antes, a bunda do tamanho do mundo, eu tenho certeza que ele ia pirar na minha.
Quando Kangamba decidia, a escolhida recebia um bom pé-de-meia. O general pagava até US$ 100 mil, quase R$ 250 mil, para a sua favorita. Mas essa pequena fortuna tinha um preço alto, segundo a polícia. Um risco de vida. Quando se trata de sexo, o general tem os seus caprichos.
Mulher 1: Ele não transa com camisinha, né?
Mulher 2: Ah, não?
Mulher 1: Dizem que ele só gosta sem camisinha e por isso que ele dá R$ 100 mil, R$ 200 mil para as meninas.
Fantástico: O risco envolvido é muito alto.
Stella: Muito alto. Elas tinham consciência disso, muitas delas ficavam em dúvida, mas acho que a tentação e aquela ambição era maior.
Mulher: Eu não vou ficar com demagogia, não, tô lá na chuva é pra me molhar. Ninguém morreu de Aids até agora.
Para as moças que ficavam em dúvida, era oferecido um suposto antídoto, um coquetel de drogas antiaids.
Nesta escuta, uma das mulheres que topou fazer sexo sem camisinha com Bento Kangamba conta os efeitos da medicação recebida.
Mulher: Deixa eu te falar uma coisa, eu estou tomando os negócios e eu estou supermal.
Para o Ministério Público Federal, não há comprovação de que esses remédios de fato teriam algum efeito contra a contaminação pelo vírus.
“A gente não sabe do que seria composto, mas acho que todos sabemos que ainda não há cura para esse tipo de doença”, afirma a procuradora.
Segundo a Polícia Federal, ninguém conhecia melhor as exigências de Bento Kangamba do que um brasileiro, o encarregado de recrutar as prostitutas do lado de cá do Atlântico.
Músico, produtor de eventos, Wellington Eduardo Santos de Souza visitou Angola pela primeira vez em 2003 como percussionista do grupo de pagode Desejos. Wellington é conhecido como Latyno e não deve ser confundido com o músico mais famoso, que tem o mesmo apelido.
Os shows em Luanda iniciaram a parceria com Nino Republicano. O empresário artístico africano era o contato do brasileiro na capital angolana. Segundo a investigação, Nino era encarregado de reservar hotéis e pagar as despesas das brasileiras.
Latyno: Foi nove mil, nove mil e pouco das passagens de todo mundo.
Republicano: Você tinha seis mil dólares meus aí.
Latyno: Comprei cinco bilhete.
Republicano: Então, cinco bilhete dá quanto?
Latyno: Eu vou te passar as contas aí tem o dinheiro já, tu vai pegar aí com o coiso.
A Polícia Federal calcula que o esquema de prostituição internacional chegou a faturar mais de R$ 640 mil por mês. E o dinheiro não ficava todo com as mulheres. A comissão cobrada pelo chefe dos agenciadores, Wellington de Sousa, o Latyno, corroía pelo menos metade desse valor. E como a mesma rapidez com que ele dinheiro entrava, aparentemente ele saía, gasto em itens de luxo, como um supercarro que está apreendido pela Polícia Federal de São Paulo. Um veículo que zero quilômetro custa mais de R$ 380 mil.
“Ele era basicamente o líder da organização aqui no Brasil”, revela o delegado.
Em uma ligação, o ex-pagodeiro fala diretamente com o general angolano. O assunto é uma viagem a Portugal.
Kangamba: Qual o pessoal que vai agora?
Latyno: Tô com várias pessoas já preparadas, que era tudo pessoal de TV. Já tem um time bom, tudo montado pra lá.
Kangamba: Põe pra ir na quinta-feira, elas.
Em outra gravação, ele precisa lidar com a frustração do general, que não pode ter uma das moças que gostaria.
Kangamba: A cara é boa, né?
Latyno: Sim, é boa. É grande, né? Aquela eu tentei já, mas é difícil demais, tio.
Kangamba: É difícil por quê?
Latyno: É muito difícil, tio. Tentei muito, tentei muito.
Kangamba: Ah, tá bom, organiza lá então.
Latyno - que lembramos mais uma vez, não tem nada a ver com o músico mais famoso de mesmo apelido - também executava funções burocráticas. Em uma escuta, uma das mulheres explica que o ex-pagodeiro também cuidava do dinheiro recebido pelo grupo.
Mulher: Quem sempre vai pra pegar o dinheiro, trazer o dinheiro pra gente é o Latyno.
Mas, em pelo menos um dos casos, diz a polícia, o agenciador sumiu com o dinheiro. E a mulher escolhida pelo general ficou sem os US$ 100 mil pagos por Kangamba para fazer sexo sem preservativo.
Em uma troca de mensagens com Latyno, ela cobra a dívida. E o chama de 'o maior cafetão do Brasil'.
Latyno está preso desde o final de outubro. Com ele, estão outros quatro brasileiros. Segundo a polícia, são seus dois auxiliares principais: Rosemary Aparecida Merlin e Eron Francisco Vianna. E o terceiro escalão da quadrilha, formado por Luciana Teixeira de Melo, a Lu Bob, e Jackson Souza de Lima, marido de Rosemary.
“Cada um tinha uma função específica. Mas em termos gerais eles eram responsáveis por toda a logística da organização. Tanto para aliciamento, quanto para seleção, quanto para obtenção de vistos”, afirma Tempestini.
O grupo é acusado de formação de quadrilha, favorecimento à prostituição, tráfico internacional de pessoas e cárcere privado.
Mulher 1: A gente teve que ficar trancada no quarto todos os dias. Horrível, horrível, essa sensação de prisioneira, sabe?
Em uma escuta, a irmã de uma das moças levadas a Angola liga para Rose Merlin, assistente de Latyno.
Irmã: Ela tava surtando já no sábado lá, ela falou comigo. Não podiam fazer nada, ficaram trancadas, que não sei o quê.
Rose: Como o Latyno não está lá, sem autorização do Bento, ninguém sai de lá, também, né?
“Somados os crimes que as pessoas foram indiciadas e denunciadas pelo Ministério Público, o cálculo é aproximado de 41 anos de pena total”, explica o delegado.
O Fantástico procurou todos os acusados. Entre os brasileiros, nenhum quis dar entrevista. A defesa de Jackson Souza de Lima mandou uma nota em que nega todas as acusações e que seu cliente não tem antecedentes criminais. Os angolanos Bento Kangamba e Nino Republicano tiveram a prisão preventiva pedida pelo Ministério Público Federal.
“De uma forma direta eles participaram também dos crimes cometidos aqui. Esse núcleo brasileiro não existiria se não houvesse o fornecimento de dinheiro. Os fatos estão todos correlacionados”, avalia Stella.
Hoje, Kangamba e Republicano têm os nomes na lista vermelha da Interpol, a polícia internacional.
“De regra, Angola não extradita nacionais. No caso de eles buscarem algum outro país, será a ocasião em que eles poderão ser presos imediatamente, para uma futura extradição para o Brasil”, afirma Luiz Eduardo Navajas, chefe da Interpol no Brasil.
Bento dos Santos Kangamba contratou um advogado para defendê-lo no Brasil.
“Se algo como isso acontecia, acontecia absolutamente sem o conhecimento e domínio do Bento dos Santos. Ele contratou profissionais, artistas brasileiros, para fazer a promoção do clube de futebol dali”, argumenta Paulo Iasz de Morais, advogado de Bento Kangamba.
Nino Republicano também contratou um advogado brasileiro.
“O meu cliente não tem nenhum envolvimento com a dita quadrilha de tráfico internacional de mulheres. Ele tem uma empresa de eventos, responsável por levar inúmeros eventos de artistas brasileiros para Angola”, defendePedro Iokoi, advogado de Nino Republicano.
As mulheres que viajaram a Angola não serão chamadas como testemunhas, segundo o Ministério Público Federal, para proteger suas identidades.
Fantástico: O papel dessas mulheres no processo é o de vítimas.
Stella: Sim.
Fantástico: Alguma dessas vítimas procurou o Ministério Público Federal para denunciar esse esquema?
Stella: Não. Esse tipo de crime envolvendo prostituição de luxo, elas tentam preservar a privacidade. Então é muito difícil que venham aos órgãos públicos.
Fantástico: Têm medo da exposição?
Stella: Muito medo da exposição. Muito medo de ver seu nome vinculado à prostituição.
Fantástico: Talvez seja difícil para o público em geral identificar onde está o erro. Se são mulheres adultas, famosas, foram de livre e espontânea vontade em busca de dinheiro, será que os riscos envolvidos não são aceitos popularmente.
Stella: É dever do Ministério Público reprimir e também proteger essas vitimas, que muitas vezes nem se vêem como vitimas.